domingo, 13 de abril de 2014

Apropriação...



Nós nos apropriamos de todo o saber humano que sobreviveu até nós... a cultura só é viva quando é recriada. Pensando nisso...


Esses dias pintei um Boi-de-mamão "dos grandes". Fiquei pensando como ele conseguiu essa manta de fuxico, e por que daqueles grandes olhos fora de sua cabeça de mamão. Eu já sabia que sua origem é controversa, alguns falam da brincadeira do boi que tinha a cabeça feita de mamão, outros que o boi era manejado pelo "mamão", o beberrão que cambaleava e lhe dava o movimento "errático".





Pesquisando mais a fundo, encontrei alguma coisa no velho tomo do "Bestiário da Ilha de Vera Cruz", de data desconhecida. Adaptando do seu português arcaico, lá diz:

"Na altura 27 - 48 das cartas marítimas de El Rei, Sua Majestade, existe uma pequena ilha onde vivem criaturas selvagens que imitam aos homens e seus animais de Deus. Lá decidiram ficar alguns marujos dignos da lealdade de S.M., e que relatam fatos dos mais absurdos. Vossos súditos, que providenciaram um abrigo para sí e algum gado que para sua sobrevivência ficara, dão conta de uma criatura das mais fantasmagóricas e dignas de mundo tão absurdo. Tal ser infernal se assemelha a algo como as medusas dos oceanos, mas com grandes olhos  que se projetam de seu interior translucido, unidos por um interior que os lembrava uma noz, aquele fruto das nogueiras da terra consagrada.
Da primeira vez que deram conta da criatura a viram espiando suas ações através da vegetação densa e bruxólica de amaldiçoada ilha. Do'utra ocasião a criatura tentava os enganar se passando por touro. Contam que ela pairava no ar, com seus tentáculos de medusa serpenteando, e segurando um fruto amarelo da terra de Colombo, cuidadosamente esculpido como a cabeça do corno, de galhos e tudo o mais. A criatura simulava docilidade, apesar de seu caráter inatural. Em todas as ocasiões, vossos corajosos marujos se esconderam em seu abrigo, e quando davam por si a criatura já sumira". (Bestiário da Ilha de Vera Cruz, Tomo desconhecido, autor desconhecido, possivelmente página 12).



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