quarta-feira, 29 de junho de 2016

Transitar pelas fronteiras. A 3 anos eu pensava nos termos da "mestiçagem", de suas vantagens, daquilo que tiro de proveitoso pra mim, desde que me lembro fazendo coisas. Em parte é aquela coisa de dialogar referências de diferentes origens sem muita frescura: de livros, filosofia, games, filmes, desenhos animados, músicas, história, ou qualquer outra fonte. Também, misturar linguagens e métodos, permitir que eles se contaminem.


Mas recentemente também tava pensando na fronteira como zona de exclusão de regiões em conflito, de guerra. As fronteiras são o local do marginal, daquele que não se adéqua bem nem de um lado nem do outro da fronteira. Pode ser que tudo que eu faça, até o final da vida, não seja bem aceito nem como arte ou nem como artesanato, nem como música ou nem bem como experimentação, nem como linguagem estética nem como game. Em fim, fico eu, e meus produtos, sem muito lugar a não ser uma fronteira que oscila. Não me acho especial nem que isso seja exclusivo, na verdade, vejo isso muito por ai.

A vantagem que temos por transitar nessa zona de exclusão é a liberdade de não precisar atender aos "critérios" do momento. O critério para definir se algo é arte ou não varia no tempo e nas sociedades, assim como o que é musica ou não, se é linguagem viva ou morta, por fim, o que tem valor estético ou não. Pois dane-se, é muito bom não precisar dar satisfação a critérios tão voláteis.

Quanto ao game, isso penso que não seja tão mutável: para ser game tem de ter o fator de jogo, tem de ser desafiante, e tem de ter valor em si para o jogador (ou seja, não necessariamente precisa ter narrativa). O game, entendido como uma linguagem estética como qualquer outra (como cinema, música, HQs), tem regras próprias a sua natureza, e afeta o jogador a partir destas regras. Claro que, por predileção, me interessa muito a dimensão da narrativa no game, por que acredito que essa seja uma parte importante, além de ser aquela que tenho possibilidade de mexer.

Já devo ter publicado aqui antes, mas não custa retomar: a narrativa me interessa não só por gosto, mas por que é onde eu posso experimentar e pesquisar. Não sou programador, não espero reinventar a roda no game, mas espero pegar as rodas já inventadas e pintar com outras cores, pois quando elas giram, dependendo da cor e da velocidade, você tem um efeito diferente.

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