segunda-feira, 17 de abril de 2023

IAs e a eliminação do “ruído humano” (AIs and the elimination of "human noise".)

(English Texto on the Bottom) 



Guerra em jogo (War Game), acrílico sobre tela, 2010, Amaweks


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IAs e a eliminação do “ruído humano”.

 

Toda essa onda de "arte de IA" (sic) tem me feito pensar a respeito de muitas questões. Quero falar aqui de questões filosóficas (mas nem por isso idealistas), com possíveis consequências socioculturais, que se colocam sobre nós com toda esta euforia de criação automatizada de imagens.

 

 

Panorama:

 

A indústria desde sempre tenta eliminar o "ruído humano" da sua equação de produção. E por ruído, por enquanto, vamos entender toda a imprevisibilidade tipicamente humana. No momento que surgiu uma verdadeira indústria cultural, produzindo e vendendo cultura para as massas, esta questão também chegou à cultura. Conforme a arte, aplicada nesta indústria pelo "design", vai se tornando cada vez mais ligada a propaganda, ao marketing como dizem, mais o ruído humano precisa ser eliminado. Acredito que com as ditas IAs este objetivo pode ser finalmente alcançado pela indústria.

 

E isto nos traz neste ponto. Para mim, a arte reside exatamente no "erro", no imprevisível, no inesperado aplicado à estética, ou seja, no "ruído". É para mim então completamente incoerente o uso da expressão "arte de IA". Expressão essa que considero em primeiro lugar sinônimo de neocolonialismo disseminado nas áreas de administração, propaganda, e design, que são taradas por palavrinhas em inglês que parecem tornar muito complexos e especiais seus conceitos (sic) e técnicas aplicadas. Nos EUA é comum se utilizar o termo "art" para qualquer tipo de imagem, seja ela criada para fins estéticos e/ou comerciais, de marketing, etc. Não é assim no português, ou não era assim, mas ignorando isto simplesmente adotamos o termo sem muito sentido "arte de IA".

 

Pois bem, voltando á questão do ruído, para mim ele é um dos fatores que cria aquilo que alguns sentem como "alma" da arte. Quem se dedica a fazer arte, e pesquisar arte fazendo arte, sabe que é na experimentação e no erro que descobrimos ou inventamos técnicas, efeitos, sentimentos, expressados através de nossa produção. Até na ciência isso ocorre, mas não vou aqui desviar o tópico. O ruído surge por vários motivos: como os erros e limitações técnicas do artista, dos materiais e ferramentas que ele tem a disposição que podem não ser os ideais, mas também do o seu inconsciente, suas questões mal resolvidas, sentimentos e ideologias de mundo. E é exatamente isso que esta tecnologia de automação vem para eliminar.

 

Eu tenho visto algumas destas imagens geradas nestes programas de automação, e comparado com o texto de entrada, o “Input”, que as pessoas escrevem para solicitar tal geração de imagem. É interessante de ver o quão estes textos soam "tecnicistas", explicitando uma iluminação aqui e acolá, um rosto assim ou assado, e tais ou quais elementos. Já foi dito que estas IAs exigem um rebaixamento da inteligência humana (ver este texto do Cinegnose) e eu concordo, e digo que em breve acontecerá com aqueles artistas que, muito por necessidade e sobrevivência, já se prestam a adaptarem-se ao mercado. Eu lamento dizer a estes colegas, que se eles precisam sobreviver e tem de fazer isso, é uma escolha deles, mas o que já estão fazendo é apertar parafusos, e não criar arte.

 

Como já citado, esse é o cenário ideal para o mercado. O tal do mercado gosta de eficiência, e o ruído humano sempre foi um problema para tal objetivo. O ruído humano pode criar reflexão da parte que consome, pode fazer a pessoa parar para pensar nem que seja por 1 segundo, enquanto o ideal da propaganda é atuar pelo inconsciente e entrar na cabeça sem o sujeito se quer dar-se conta. Imagens "livres" de ideologias, melhor dizendo, livres de ideologias que não as dos donos das marcas e do capital. Isto já acontece hoje, mas o nível de eficiência que estes aplicativos de automação devem trazer nesse sentido será nunca antes visto.

 

 

Que arte buscar neste mundo que já está ai?

 

A cada ano, cada mês, temos a confirmação de que nossa aposta, minha e de alguns outros artistas, contida em nosso "Manifesto da Arte Anacrônica", está de fato antenada com o espírito de nosso tempo. Por que a arte que propomos, e a que fazemos já a algum tempo, exploram exatamente o ruído, a imperfeição, nossa ou mesmo aquele ruído que é possível extrair das tecnologias disponíveis. Para quem desejar ainda fazer arte, será preciso buscar este ruído, mesmo para quem se utilize de ferramentas digitais, ou talvez ainda mais para estes.

 

Nossa proposta, além de muitas outras cosias que estão no manifesto, é de que precisamos absorver as tecnologias, e não sermos absorvidos por elas. E como fazer isto? Explorando as imperfeições da máquina, o ruído, aquilo que o mercado tenta eliminar. É preciso somar o ruído da imperfeição da máquina ao nosso próprio ruído. Assim é possível produzir arte, criação estética humana, utilizando de ferramentas que a tecnologia nos tornou acessível. E para tanto é preciso subverter os usos destas tecnologias: não é por que a moda agora é IA que vc vai focar nisso, e não é pq o "ismartefone" é utilizado quase sempre pra se acessar as redes sociais que devemos utilizar eles apenas para isto.

 

Nós temos ilhas de edição de vídeo e som na palma de nossa mão, e não estamos sabendo utilizar. Como já disse o Luiz Souza, os “ismartefones” são “armas na guerrilha cognitiva” do nosso tempo, mas não sabemos bem utilizar. Alguém pode dizer, “ah, mas não dá de editar um vídeo em HD no meu celular". E quem disse que vc vai fazer arte produzindo um vídeo em HD? É exatamente no vídeo em baixa resolução, na tecnologia obsoleta, no erro e no ruído, que você pode encontrar uma estética a explorar e experimentar, dizer algo. Eu vou exemplificar isto bem com trabalhos do meu amigo Luiz Souza, e com minha própria produção.

 

O Luiz, além de escritor de mão cheia (leia alguns contos aqui), tem a algum tempo feito ótimas pinturas, carregadas de carga narrativa, e experimentos de vídeo arte interessantíssimos tanto do ponto de vista narrativo quanto visual. Por vezes ele cria novas imagens e vídeos através da manipulação da incidência da luz sobre suas pinturas, dando outro sentido e carga emocional para a imagem (veja aqui). Ele tem deliberadamente criado muitos exemplos de como se pode utilizar as ferramentas que quase qualquer criança tem hoje a mão para criar arte.

 

Luiz Souza não apenas não preocupa-se com a perfeição da imagem, como absorbe todo o ruído possível. Múltiplas imagens e vídeos, e sons, rodando na tela de seu computador, sendo novamente capturadas pelo telefone móvel. Imperfeições no já sucateado monitor, repleto de listras coloridas e artefatos aleatórios, além sobreposição de áudios, e nem por isso esta Babilônia é sem razão de ser, visto que quase sempre tem forte discurso político (aqui).

 

E os materiais que Luiz Souza tem utilizado são quase todos baratos ou sucatas: papel barato, tinta barata, lâmpadas coloridas, computador e telas com 15 anos de idade, telefone celular já fora de moda. Sua ilha de edição de vídeo é a própria tela do computador, e ele como um DJ edita "ao vivo" enquanto o telefone celular captura tudo novamente, juntamente com todo o "ruído" de imagem e som que este método proporciona. O trabalho dele mostra que ir na contramão da assepsia do mercado é o que vai distinguir um trabalho de arte de uma imagem da publicidade.

 

Em minha produção também faz algum tempo que exploro este ruído. A princípio de forma mais inconsciente: eu utilizava os recursos que eu tinha a mão, e não esperava ter um estúdio ou ilha de edição para produzir minhas músicas, animações, ou de 9 anos para cá também videogames. O que de início era por necessidade, e ainda o é também, passei a absorver e explorar como parte do meu trabalho. Até hoje construo instrumentos musicais com sucatas, e realmente gosto da sonoridade da imperfeição. As escalas de meus instrumentos tem "temperos" exóticos, mesmo usando a escala ocidental as notas não saem perfeitas. Não me preocupo muito se o instrumento fica meio torto, e é na verdade tudo isso que os torna únicos (veja alguns aqui).

 

A algum tempo tenho focado na criação de vídeo jogos. E aqui tbm minhas limitações técnicas pessoais e de equipamentos acabaram por se tornar intencionais: eu tenho criado jogos para sistemas completamente obsoletos. Meus últimos jogos são feitos para um computador de 1982, o ZX Spectrum. Ainda que o aparelho real tenha virado artigo de luxo, peça de museu ou item cobiçado por colecionadores, seus jogos podem ser executados em qualquer sucata de computador moderno ou telefone celular, através de emuladores gratuitos. As imperfeições e limitações dos sistemas obsoletos me fascinam, estimulam minha criatividade, e me fazem encontrar estéticas únicas. São jogos que dificilmente podem ter sucesso comercial, mas sigo tentando fazer arte através deles. E a partir dos temas dos jogos autorais sigo produzindo imagens, gravuras, vídeos, livros, tudo sempre com aquelas ferramentas que tenho a mão. Confira mais dos jogos em meu site www.amaweks.com e o que falo sobre eles no blog www.diarioartografico.blogspot.com

 

Alguém pode não gostar da minha arte ou da que o Luiz produz, mas desafio qualquer um a dizer que o que fazemos não tem alma. Alma, cérebro, e entranhas, vísceras. Que não temos isso não se pode dizer do nosso trabalho. É arte produzida no terceiro mundo, com urgência de quem vê o capitalismo se degradar e carregar a todos com ele. É a estética do possível, a estética do precário, mas sem fazer apologia a miséria, sabendo que não é possível esperar pelas condições ideais. É preciso subverter os usos da tecnologia que utilizam para nos escravizar, pois tudo hoje em relação a estas gera ao redor da palavra “controle”.

 

 

Para concluir:

 

Se você é um jovem artista, ou se também mantém o espírito jovem, leia nosso Manifesto da Arte Anacrônica, que abre a Revista Anacronia Nº1. Saiba que se deseja fazer arte, de verdade, vai precisar descobrir como se distanciar e distinguir das imagens da publicidade. Nas últimas décadas toda a indústria cultural, cinemão, quadrinhos de herói, música, e outros, tem se aproximado cada vez mais da publicidade no que lá há de pior. Isso vai só piorar com a utilização dos programas de automação, que foram criados para reduzir custos de produção em muitas áreas "criativas" (áreas que são vistas na verdade como sendo de produção, de execução, mas que exigiam algum treinamento da mão de obra mais acessível apenas as classes médias ou superiores).

 

Saiba que se tornar refém de criar imagens por estes aplicativos vai lhe afastar cada vez mais de produzir arte. Se for uma escolha consciente, então vá, mas não se engane. Quanto mais estes aplicativos forem aprimorados, quanto menos "falhas" eles tiverem, ou seja, quanto mais eles eliminarem o "ruído", mais você será, seu ser, será alienado do produto final, do “output”, até que não sobre nada de você no resultado. Ou, eles podem ainda lhe convencer de que o produto desta fábrica seja seu espelho, o que seria um destino miserável. Para mim as imagens que saem dai são apenas uma casca, feita de uma concha de retalhos retirada de um banco de dados de imagens, descrições, calculada por um algoritmo.

 

Só estou avisando, pq na verdade este destino, a nível macro econômico, deve provavelmente ser inevitável, ao menos dentro dos rumos do capitalismo necrófilo e putrefato em sua loucura de competição, redução de custos, escassez de materiais e crise ambiental. O “ruído humano” vai ser eliminado de dentro para fora, e nem vai ser por verdadeiras “inteligências Artificiais”, autônomas, como aquelas da ficção cientifica tal qual Hal9000 de 2001: Uma odisseia no espaço, ou a Sky Net de O Exterminador do Futuro. Não, vai ser através de programas burros, controlados por meia dúzia de capitalistas sedentos por redução e custos e eliminação de qualquer traço tipicamente humano de imperfeição.


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English Text



AIs and the elimination of "human noise".

 

All this "AI art" trend has made me think about many things. I want to discuss philosophical issues (but not necessarily idealistic ones) with potential socio-cultural consequences that arise with all this excitement about automated image creation.

 

 

Overview:

 

The industry has always tried to eliminate the "human noise" from its production equation. By noise, for now, let's understand all the typically unpredictable human behavior. When a true cultural industry emerged, producing and selling cultural products to the masses, this issue also affected culture. As art applied in this industry by "design" becomes increasingly tied to advertising, or as they say, marketing, more and more the “human noise” needs to be eliminated. I believe that with these so-called AIs, this objective can finally be achieved by the industry.

 

And this brings us to my point: for me art lies precisely in the "error", the unpredictable, the unexpected applied to aesthetics, that is, in the "noise". Therefore, the use of the expression "AI art" is completely inconsistent. This expression, which I consider primarily a synonym for neocolonialism spread in the fields of management, advertising, and design, is obsessed with English words that seem to make their concepts and applied techniques very complex and special. It seems that in the US the term "art" is commonly used for any type of image, whether it is created for aesthetic and/or commercial purposes, marketing, etc. It is not like that in Portuguese, or at least it was not like that, but by simply ignoring this fact, we adopted the meaningless term "AI art".

 

Well, returning to the issue of the noise, for me it is one of the factors that creates what some feel as the "soul" of art. Those who dedicate themselves to making art and researching art through art know that it is in experimentation and error that we discover or invent techniques, effects, feelings, expressed through our production. This even happens in science, but I won't digress on that topic here. Noise arises for various reasons: such as the artist's technical errors and limitations, the materials and tools that they have at their disposal that may not be ideal, but also from their unconscious, unresolved issues, feelings, and ideologies about the world. And that's exactly what this automation technology is here to eliminate.

 

I have seen some of these images generated in these automation programs and compared them with the input text that people write to request such image generation. It is interesting to see how these texts sound "technicality," explicitly stating lighting here and there, a face like this or that, and such or which elements. It has been said that these AIs demand a lowering of human intelligence (see this text from Cinegnose, in Portuguese, use the AI to translate if you need) and I agree, and I say that soon it will happen to those artists who, out of necessity and survival, are already willing to adapt to the market. I regret to say to these colleagues that if they need to survive and have to do that, it is their choice, but what they are already doing is tightening screws, not creating art.

 

As mentioned before, this is the ideal scenario for the market. The so call “market” likes efficiency, and human noise has always been a problem for that objective. Human noise can create some thinking on the side of the consumer, it can make the person stop and think even if it's for just one second, while the ideal of advertising is to act on the unconscious and enter the mind without people even realizing it. Images "free" of ideologies, or rather, free of ideologies that are not those of the brand owners and capital. This already happens today, but the level of efficiency that these automation applications must bring in this regard will be unprecedented.

 

 

What kind of art to pursue in this already existing world?

 

Every year, even every month, we have confirmation that our bet, mine and that of some other artists, contained in our "Anachronistic Art Manifesto," is indeed attuned to the spirit of our time, the zeitgeist. Why? Because the art we propose, and that we have been making for some time now, explores exactly the noise, the imperfection, ours or even that noise that can be extracted from the available technologies. For those who still wish to make art, it will be necessary to seek out this noise, even for those who use digital tools, or perhaps even more so for them.

 

Our proposal, among many other things that are in the manifesto, is that we need to absorb the technologies, and not be absorbed by them. And how to do this? By exploring the imperfections of the machine, the noise, exactly what the marketing tries to eliminate. It is necessary to add the noise of the machine's imperfection to our own noise. This way it is possible to produce art, human aesthetic creation, using tools that technology has made accessible to us. And for that, it is necessary to subvert the uses of these technologies: just because AI is now in fashion, it doesn't mean you should focus on it, and just because the smartphone is almost always used to access social media networks, it doesn't mean we should only use them for that.

 

We have video and sound editing tools in the palm of our hands, and we don't know how to use them. As Luiz Souza has said, smartphones are "weapons in the cognitive guerrilla warfare" of our time, but used against us, and we don't know how to use them for ourselves. Someone might say, "oh, but I can't edit an HD video on my old phone." And who said you have to produce art by making an HD video? It's exactly in low-resolution video, obsolete technology, error, and noise that you can find an aesthetic to explore, experiment, and say something. I'll illustrate this with examples from my friend Luiz Souza's work and my own art works.

 

Luiz, besides being a very talented writer (read some of his stories here), has been making great paintings for some time, loaded with narrative content, and interesting video art experiments both from a narrative and visual point of view. Sometimes he creates new images and videos by manipulating the incidence of light on his paintings, giving another sense and emotional load to the image (see here). He has deliberately created many examples of how to use the tools that almost any child has at hand today to create art.

 

Luiz Souza not only doesn't worry about the perfection of the image but absorbs all possible noise. Multiple images and videos, and sounds, running on the screen of his computer, being captured again by his mobile phone. Imperfections on the already obsolete monitor, full of colored stripes and random artifacts, as well as audio overlays, and yet this Babylon is not without reason, as it almost always has a strong political discourse (here).

 

And the materials that Luiz Souza has used are almost all cheap or scraps: cheap paper, cheap paint, colored lamps, 15-year-old computers and screens, outdated cell phone. His video editing island is the computer screen itself, and he, like a DJ, edits "live" while the mobile phone captures everything again, along with all the image and sound "noise" that this method provides. His work shows that going against the sterility of the market is what will distinguish a work of art from an advertising image.

 

In my own production, I have also been exploring this noise for some time. At first, it was more unconscious: I used the resources I had at hand and didn't expect to have a studio or editing island to produce my music, animations, or, for the last 9 years, video games. What was initially out of necessity, and still is, I began to absorb and explore as part of my work. I still build musical instruments with scraps, and I really enjoy the sound of imperfection. The scales of my instruments have exotic "seasonings," even using the Western scale, the notes don't come out perfect. I don't worry too much if the instrument is a bit crooked, and it's actually all of these imperfections that make them unique (see some here).

 

For some time now, I have been focusing on creating video games. And here, my personal and equipment technical limitations have also become intentional: I have been creating games for completely obsolete systems. My latest games are made for a 1982 computer, the ZX Spectrum. Although the real device has become a luxury item, a museum piece, or a coveted item for collectors, its games can be run on any modern computer or smartphone scrap, through free emulators. The imperfections and limitations of obsolete systems fascinate me, stimulate my creativity, and make me find unique aesthetics. These games are unlikely to have commercial success, but I continue to try to make art through them. And from the themes of these original games, I continue to produce images, prints, videos, books, always with the cheap tools I have on hand. Check out more of the games on my website www.amaweks.com and what I say about them on the blog www.diarioartografico.blogspot.com.

 

Someone may not like my art or that of Luiz's, but I challenge anyone to say that what we do doesn't have soul. Soul, brain, and guts. It cannot be said that our work does not have those things. It is art produced in the third world, with the urgency of those who see capitalism degrade and carry everyone with it. It is the aesthetics of possibility, the aesthetics of precariousness, the aesthetics of the emergency, but without making an apology for poverty, knowing that we cannot wait for ideal conditions. We must subvert the uses of technology that are used to enslave us because everything today revolves around the word "control".

 

To conclude:

 

If you are a young artist, or if you also maintain a youthful spirit, read our Manifesto of Anachronistic Art, which opens Anacronia Magazine #1 (again, do what you need to translate it for you). Know that if you wish to make true art, you will need to discover how to distance and distinguish yourself from the images of advertising. In recent decades, the entire cultural industry, blockbuster films, superhero comics, music, and others, has increasingly approached the worst aspects of advertising. This will only worsen with the use of automation programs, which were created to reduce production costs in many "creative" areas (areas that are actually seen as production, execution, but which required some training and education of more accessible labor only available to middle or upper classes).

 

Know that becoming a hostage to creating images through these applications will increasingly distance you from producing art. If it is a conscious choice, then go for it, but do not deceive yourself. The more these applications are improved, the less "flaws" they have, meaning the more they eliminate the "noise", the more you, your being, will be alienated from the final product, the "output", until nothing of you is left in the result. Or, they may even convince you that the product of this factory is your mirror, which would be a miserable fate. To me, the images that come out of these applications are just a shell, made of a patchwork of images, descriptions, calculated by an algorithm from a database.

 

I think I'm just giving a warning, because in reality this fate, on a macroeconomic level, is probably inevitable, at least within the course of necrophilic and putrefying capitalism in its madness of competition, cost reduction, shortage of materials and environmental crisis. The "human noise" will be eliminated from the inside out, and it will not even be by true autonomous "Artificial Intelligence", like those of science fiction such as HAL9000 from 2001: A Space Odyssey, or Skynet from The Terminator. No, it will be by dumb programs being controlled by a handful of capitalists thirsty for cost reduction and elimination of any typically human traces of imperfection.

 

 

Amaweks, 2023.

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