sábado, 15 de fevereiro de 2014

O que é um diário a/r/tográfico?


Pra começo de conversa, não falo aqui de nenhum diário burocrático, exigência documental estéril de nosso sistema de ensino que caminha a passos mais lentos que o mundo que o circunda. Como espaço de reflexão do professor, um diário serve para registrar o que nos afeta na experiência educacional. Ali vão angústias, sucessos, fracassos, e demais notas para reflexão. Ou seja, na elaboração do diário é que conhecimento gerado a partir da experiência como professor, no meu caso, como professor de artes.

A/r/tográfico por que além de permitir a contaminação entre as figuras do artista, pesquisador, e professor, a percepção desta contaminação se dá pelo registro gráfico, seja com palavras, imagens, ou da mistura de ambos. Como um tipo de produção estética e ética este diário deve servir como forma de dialogar e divulgar ideias e experiências vividas como professor de artes do Ensino Médio. Também, um empurrão para um professor que deseja se manter ativo na sua produção, sem tornar ela apenas um momento de isolamento. Pelo contrário, não cabe ao professor de artes ser o artista que se tranca na caverna para criar representações do mundo lá fora, mas sim, criar de maneira compartilhada e interferindo no real a sua volta.

Como registro de quem é apaixonado por sua área caberão aqui mais perguntas, dúvidas, angústias, que respostas. Muito do sentido que geramos a partir de nossas experiências é provisório. O provisório, quando interessante, nos acompanha, e nós o testamos até seus limites, para dali ficar com algo e seguir a diante. Não posso prometer ausência de contradições, apenas que prefiro explicitar aquelas que descubro, na busca de sua superação.


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