Terror Digital
Uma das técnicas políticas da direita sempre foi a de criar um clima de terror (e incluímos aqui a extrema direita e a tal "direita democrática" (sic)). Seja através de propaganda ou pela força bruta, um terror através da polícia, terror econômico, terror contra o estranjeiro. A novidade do século XXI é o terror digital.
Faz tempo que evito ter por hábito de "me informar" através das redes sociais, do Instagram ou vídeos curtos de youtube principalmente. E como eu não tenho o hábito diário de assistir TV fazem muitos anos (na verdade raramente assisto), supro minha necessidade de me informar sobre assuntos que me importam através de Blogues, portais de notícia, ou canais de youtube que tem uma postura jornalística e não se renderam ainda à cultura do "click bait".
Mas no último um mês, de dezembro de 2025 até o presente momento, metade de janeiro 2026, fora do meu controle, eu me deixei levar pelso vídeos curtos do youtube e de Instagram. A maioria sobre política internacional, devido as crescentes tensões disparadas principalmente pelo Governo Trump. Claro que eu já usava as redes pra ver algo sobre o que ocorre em gaza, etc, mas tentava ainda focar em algum portal, como o hispamtv_brasil por exemplo. Mas tenho notado o quanto isso tem feito mal para mim, não só psicológicamente, mas politicamente.
É preciso pontuar o seguinte: ja é bem sabido que a informação pelas redes sociais é totalmente fragmentada e raza, sem aprofundamento, por conta de sua natureza do formato extremamente curto. Pra puiorar, é difícil checar a informação quando ela vem nestas pílulas minúsculas, encadeiadas entre outras pílulas que podem até ser factuais. Ja é, por sí, um veículo de informação de baixa qualidade por isto. Tudo fica fragmentado e "solto", carecendo de contextualização mínima (que as vezes pode até aparecer na descrição do vídeo), e contendo zero análise.
Mas o que senti, e o que aconteceu com meu dia a dia após um mês de exposição a esse tipo de informação das redes sociais? De maneira curta e direta, terror e paralisia. O clima de terceira guerra mundial, a sensação que tudo desmorona, o avanço de políticas de destruição de direitos dos trabalhadores em todos os níveis, cria uma sensação de derrotismo, desânimo, seguida de terror e paralisia. Eu não tenho conseguido me concentrar em nada direito, vou fazendo as coisas como se estivesse "flutuando", pairando sobre a existência, mesmo neste exato momento.
Sem entrar de cabeça no conspiracionismo, mas só consigo elaborar uma hipótese: tudo isto é proposital e beneficia aos donos das plataformas não só comercialmente, mas politicamente. É sabido que o engajamento em vídeos curtos, o tal vício em dopamina, e o engajamento exponencial do ódio, são comercialmente desejados pelos que gerenciam as redes sociais. O tal algoritimo não é algo meramente técnico e isento, ele segue diretrizes ideológicas que buscam também maximizar o lucro na forma de maior retenção dos usuários. É aquilo já amplamente dito:> nós somos o produto.
Mas, mais do que a questão comercial, é preciso considerar o alinhamento ideológico destas redes. Só lembrar que estavam todos os donos das maiores redes babando o ovo na pose de Donald Trump, mostrando sua disposição para o lobby em seu favor, até por que precisam da grana estatal para seus projetos de IA's entre outros (coloca na conta apoio para interferir e ter acesso barato à recursos materiais em outros países). Esse pessoal tem uma agenda política bem clara, que por conveniência por de estar mais próxima da "direita democrática", ou como no atual momento mais próxima da "extrema direita".
Bom, superando os preâmbulos, meu ponto: a criação dessa sensaçã ode terror pode não ser uma simples coincidência. Criar um terror digital, assustar e paralisar, a todos aqueles que um projeto político conservador e autoritário não possa alcançar fisicamente, é uma forma de amplicarseu alcance, é uma arma política. Mesmo onde eles alcançam através da forma, o terror psicológico através das redes sociais é um complemento de uma política de terror e derrotismo.
Já tem sido falado a alguns anos que um dos "trumfos" políticos das redes sociais é que elas criam nas pessoas a ilusão de espontâneidade: como é o seu amigo quem postou (repostou na maior parte das vezes) um conteúdo, você tende a pensar que aquilo é legítimo e expressão de uma tendência espontânea. Mas a verdade é que tudo seguem "tendencias" que emanam de caixas pretas ou de conteúdos inseridos ou pelas próprias redes e sua lógica, ou memso por "fazendas" de perfis falsos.
E isso independe do perfil: pegando novamente o exmeplo do hispamtv_brasil, por mais que eu goste de maior parte do posicionamento jornalístico e também ideológico do perfil, e acredite na veracidade de maior parte do que eles comaprtilham, o efeito é independente da intenção do perfil, já que suas postagens estão diluídas em meio a um turbilhão, uma avalanche, de estímulos. Esse turbilhão nos desorienta, deianos sucetíveis à construção de um sentimento que se faz no conjunto desses fragmentos de forma inconsciênte: a fragmentação e a dopamina inviabiliza a tomada de consciência do todo.
É bem possível que eu seja mais suscetível a essa "mecânica" de informação, não sei dizer, mas só consigo pontuar que efeitos ela tem sobre mim. Só sei que agora vou evitar as redes por um tempo, e votlar a me informar por vídeos e reportagens longas, análises de conjuntura de no mínimo uma hora de duração e portais de notícia que não se renderam totalmente ao click bait, ou canais específicos no youtube que eu possa assistir como quem assiste a um programa de tv. A experiência involuntária de um mês mergulhado nesse caldo caótico já estava começando a me incomodar e dificultando minha concentração nos projetos ou memso no descanso.
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