quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Mais reflexões sobre "IAs" (sic)

É inevitável, é o assunto do momento, e todos os dias a gente compreende melhor os limites e os impactos sociais, estéticos, políticos da introdução destas ferramentas de geração automatizada de textos, imagens, audios, vídeos que a indústra e os ideólogos do Vale do Silício chamam de "Inteligências Artificiais". Recentemente dois postos do meu amigo Luiz Souza (links nos títulos de cada comentário) me fizeram escrever dois comentários a respeito do tema.




Jason e os Argonautas

Esses softwares de automação na criação de frames intermediário, para aumentar a quantidade de frames de um vídeo, já existem a alguns anos, e tem algumas cosais que me incomodam nisso. Não na ferramenta em sí, que certamente pode ser utilizada de forma criativa, mas nesses exemplos que já povoam a internet, tipo esse de Jason e os Argonautas que eu já conhecia, e vou explicar melhor.

Pra além de qualquer nostalgia com o original, primeiro tem o fator de preservação histórica, e nisso eu me lembro do que o George Lucas fez com sua própria trilogia do Star Wars, alterando ela de acordo com as décadas e com as novas sequências e tecnologias dos anos 2000. Nada de tão novo, se pensarmos que quantos livros eram revisados em edições subsequêntes? Mas geralmente com fins de melhorar a tradução, contextualziação, mas digamos que tbm alteração do texto.

Mas na linguagem do cinema ja é mais problemático quando o cara muda atores em cenas, etc. Por conta da forma de como são distribuídos os filmes no mercado do cinemão de hoje, as cópias originais de Star Wars quase se perderam, não fosse o trabalho recente de fãs que escanearam em alta resolução a partir das películas originais do cinema (conseguiram rolos de filmes originais da época, várias cópias dos mesmos filmes, para assim fazer um trabalho de digitalização e reconstrução do original que o Lucas, ou a Disney hoje em dia, não fizeram).

Segundo, tem uma coisa de "impressão" causada pela técnica que se perde. Se eu vejo um stopmotion a 20, a 15, ou até a 10 frames por segundo, ele me impressiona muito mais do que um vídeo a 120 frames gerado por "IA"(sic), ou "reescalonado" de 15 frames para 120 por um software desse tipo. E pra além de preciosismo, tem algo aí que se perde na linguagem quando aquelas imagens deixam de impressionar tecnicamente tbm, e isso leva ao meu terceiro e último ponto.

Quando a gente assiste a um filme, não necessariamente buscamos "o real", ou um simulacro da realidade pra ser mais exato. Por exemplo, se eu vejo que o negócio é feito com stopmotion, fica claro para mim que aquilo é um trabalho de arte, humano, que é fruto da imaginação e não do real, mesmo que eu não conheça as tecnicidades portrás da produção. Essa tendência já de anos, e mais e mais comum na sensibilidade das pessoas, de mascarar a origem ficcional no cinema no quesito da imagem, de querer ser "mais real que a realidade" com os efeitos especiais, eu vejo tbm no videogame moderno. Então algo, e não pouco, do que tem de linguagem estética nessas mídias se perde ao se ignorar que elas não são a realidade, mas sim um filme ou um game, um espaço de "excepicionalidade" e quebra no cotidiano (ou pelo menos já foram um dia).

Quando Magritte pinta aquele quadro retratando um cachimbo com a frase "isto não é um cachimbo" escrita logo abaixo, ele deixa óbvio, aquilo era uma pintura de um cachimbo, não um cachimbo em sí, no máximo um "ìdice", uma indicação, que remetia a um cachimbo. A pintura então havia finalmente se libertado da sua obrigação retratista, em grande medida graças ao avanço técnico da fotografia. A indústria do cinema, e a do videogame também, vão na direção oposta, tornando seus produtos cada vez mais pobres como linguagem.

Mas quem liga? Afinal, a intenção é girar capital, não fazer arte.



O Músico de Rua na Argentina

O luiz repostou e fez uma boa descrição do que se trava o vídeo que me despertou uma reflexão sobre o simulacro de inteligência das tais "IAs"(sic):

"Reprodução, por meio de instrumentos analógicos não convencionais, de timbres originalmente criados por meios de instrumentos eletrônicos.

A música do século 21 está nascendo aos poucos.

E vem da rua. Vem de baixo. Vem do lixo."

Eu logo me peguei a pensar no distanciamento, em direções opostas, entre Inteligência humana e isso que hoje o mercado tem chamado de "Inteligência Artificial", o quanto elas vão em direções opostas quanto á questão de "retro alimentação", ou "feedback loop" como tbm chamam.

Em matérias recentes os engenheiros de "IA"(sic) tem demostrado preocupaçao com o problema gerado quando esses softwares se alimentam de conteúdos gerados por elas mesmas (leia algo aqui). Pq o que esses programas realmente fazem é manejar através de algoritimos matemáticos um banco de dados gigante de imagens, textos, etc, criados inicialmente por seres humanos, e vir com um resultado, uma "média" matematicamente calculada, que é a imagem, texto, filme, resultante. Mas quanto mais as tais IAs(sic) são alimentadas com conteúdos geradas por elas mesmas, os resultados vã ose degradando. Testes já realizados preveem que a coisa pode se degradar ao ponto de os resultados não terem mais nenhum sentido e se chegar a imagens como borrões, textos sem pé nem cabeça, etc. Comforme a Internet comece a ser povoada por imagens geradas por filtros e IA (e isto já está em um processo sem volta), esse desfecho é inevitável.

Já Inteligência humana vai no sentido contrário, e quanto mais ela se alimenta de sí, das criações humanas de todo o mundo, mas ela se complexifica. Esse exemplo acima é interessante por que ele tem essa relação com a tecnologia. Quando os pioneiros da música eletrônica criaram aqueles sons com sintetizadores nos anos 60 e 70, aquilo era um negócio "de outro mundo". Eram sons muitas vezes sem paralelo com instrumentos ou sons já existentes.

Veja só, resultado do ser humano manejando de forma criativa novas ferramentas tecnológicas. Isso abriu um campo de um gênero, e muitos sub gêneros, de música eletrônica (incluindo a música de videogame com a qual eu sou familiarizado e inclusive componho pra meus jogos). Num movimento seguinte de "retro alimentação", agente vê algo como este músico de rua, que se utilizando de sucata, de lixo, recria estes sons que só foram possíveis de existir a partir da música eletrônica, mas agora de forma analógica, física e mecânica, não eletrônica ou digital.

Percebem como uma coisa vai em uma direção de ampliar a complexidade, e a outra na direção oposta? Como a tal "IA" se distancia de qualquer simulacro de inteligência, quando ela é deixada "sozinha", literalmente autônoma, apartada da criatividade humana que existe em seus banco de dados? Já a inteligência humana, que nós ainda mal compreendemos como funciona, é só se complexifica quanto mais ela se alimenta de si (e de outros humanos).

E tem grandes capitalistas e seus ideólogos que querem nos convencer de que o que eles criaram artificialmente são "inteligências". O que eles criaram foi na verdade uma grande concentração de dados, muito a par da grande concentração de capital em nosso mundo (é um reflexo da desigualdade social), e tecnologia matemática/computacional para gerir estes dados.







sexta-feira, 10 de novembro de 2023

A Polêmica do Jabuti e a IA

Tava aqui trabalhando em meus projetos e refletindo a respeito da tal polêmica do Prêmio Jabuti, que premiou a capa de uma nova edição de Frankenstein, que foi produzida utilizando estas ferramentas de IA:

Em tempos de IA, talvez nosso foco deva ser não no consumo de arte, mas na sua produção. Quero dizer com isso, que nosso exemplo (nós Artistas Anacrônicos) não é apenas a respeito de uma estética de "o que fazer", ou "que formas utilizar". Não, é também um chamado para que as pessoas façam arte. Agora percebo que isto já estava no Manifesto da Arte Anacrônica, de 2022, mas eu não tinha toda a clareza e síntese que tenho agora.

Pq a "arte" de consumo de massas vai ser toda produzida por marqueteiros utilizando programas de automação (as tais IAs, nome mais que inapropriado preciso frisar). Vai ser um mundo onde apenas consumir arte, na maioria dos casos, não vai ser um ato de humanização. Não é consumir arte que vai dar autonomia ao ser humano, ainda mais esta na forma de entretenimento barato, e que terá o potencial de humanizar as pessoas em um mundo que tende a desumanisar-las. Mas o que tem potencial de humanisar é produzir arte. E hoje as ferramentas para se produzir arte estão ao alcance da maioria de nós.

Eu sei que a vida é corrida, que o tempo é curto, que é preciso pagar as contas, etc. Mas não se preocupe, no capitalismo decadente vai ter cada vez menos emprego pleno para todos, e cada vez mais gente vai ter tempo livre. Então, vá atrás das referências do passado, quando se produzia arte humana para humanos, e produza. Também publique, não para seguir carreira de artista se não é a sua, mas pq isso lhe humaniza, e só isso vai lhe humanizar no século XXI, não assistir série de streaming seja com a boa intenção que for. Produza seu game, produza suas pinturas, produza sua música, produza seu filme, e não fique preso aos critérios de "qualidade" (sic) da indústria.

Engraçado, eu sempre fui nessa direção, desde que me lembro, produzindo tudo de forma caseira, e incentivando quem eu pudesse a fazer o mesmo. Foi minha principal postura e trabalho como professor de artes, e eu segui esse caminho. Agora está claro que o método anacrônico, e aestética anacrônica, é um chamado à produção de arte não só por artistas, estetas, pessoas que queiram dedicar sua vida à arte, mas sim a todas as pessoas que queram sentir esta sensação de estar dando significado humano aos signos que ela opera, dando significados seus. Não será possível fazer isto com a sopa (pra não dizer churume) que vai sair de IA.

O Manifesto da Arte Anacrônica foi redigido pelo Luiz Souza e saiu de uma reflexão coletiva realizada pelo Grupo Gang do Lixo, do qual eu tbm faço parte. Baixe o manifesto aqui: https://revistadaanacronia.blogspot.com/2022/08/anacronia-n-1.html




sábado, 4 de novembro de 2023

Entrevista e resenhas recentes em revistas estrangeiras


Saiu a nova edição da Revista Inglesa Crash, e nela tem uma entrevista de 6 páginas comigo, e mais uma resenha de 2 páginas de O Purgatório de Virgílio. Aproveito aqui já pra colar também a matéria sobre o Bruxólico que saiu na revista Argentina Replay, e mais algumas publicações anteriores que eu aidna não tinha escaneado e compartilhado no BLog.

Assim que possível, semana que vem ,devo adicionar as devidas traduções para o português.


Entrevista para  Revista Crash (UK)
   


Resenha Bruxólico na Revista Replay (Argentina)



Resenha Virgil na Jogos 80






Entrevista para a Revista Micro Sistemas








Resenha de TCQ na Revista Crash





Premiação GOTY Planeta Sinclair e Museu Loading







quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Gótico Ilhéu

Não, eu não vou falar do seu sobrinho ou sobrinha que se veste de preto e usa maquiagem pesada, eu quero falar é de outro gótico, da literatura e poesia, com Edgar Allan Poe, Baudelaire, Cruz e Souza, das artes visuais com Odilon Redon, Blake, e tantos outros.

Recentemente meu amigo Luiz Souza publicou uma série de postagens no facebook repercutindo o "dia das bruxas" e a nossa relação, aqui em Florianópolis, com esta simbologia, ou pelo menos as relações que poderiamos tecer de forma criativa e original (Links das postagens no final do texto)

Dentre estas postagens tem uma que fala da necessidade de se entender e utilizar do horror na arte como forma de crítica social. A postagem original do perfil www.instagram.com/agitprop.arg/ define e chama este uso de "Marxismo Gótico". Diz como é preciso não ser "estraga prazeres", e por exxemplo no lugar de já saindo taxando o tal haloween como imperialismo cultural é preciso absorver e fazer uso destas referências no trabalho e estético crítico.



Postagem de @agitprop.arg


Eu compreendo interpreto isto como uma chamada a evitar a caretice cultural em geral muito pequeno burguesa recorrente na esquerda, em especial nos setores mais metidos a "progressistas" e que flertam muito com o liberalismo. O que os Argentinos da postagem falam podemos entender como o ato de antropofagizar toda esta cultura de horror, e se utilizar dela, criando uma arte original e que pode se classificar como "Gótica". Não se trata de maneira alguma de macaquear o estrangeiro, ou seja reproduzir esta cultura que emana do centro do capitalismo de forma acrítica, não.

E aqui entramos nós, que vivemos nesta "Ilha da Magia", ou "Ilha das bruxas" como dizem os slogans, graças a um certo uso e recorte a partir da obra de Franklin Cascaes e Peninha. As elites locais se esforçam, e tem muito sucesso, em sequestrar a iconografia das bruxas que vem do Cascaes e do folclore popular de base açoriana, a colocando a serviço de seus interesses econômicos. Isto significa que devemos então abrir mão do Cascaes? Eu penso que muito pelo contrário.



Bitatá - Cascaes - 1970


Cascaes e Peninha

O Cascaes e todo este folclores tem de ser reinvidicados de forma popular: O Cascaes é do povo. No lugar da caretice (sim, é uma caretice) da esquerda em abandonar a obra do Cascaes, ou mesmo as referências folcloricas dos antigos colonos Açorianos, por estas já estarem nas mãos dos poderes econômicos, é preciso reinvidicar eles. É preciso destacar seu caráter popular e averso ás relaçoes individualistas do capitalismo, seus valores burgueses de praticidade financeira onde o "tempo é dinheiro", todo ele 24h por dia nesta era digital. E como se faz isso? Usando destas referências, criando nova arte que se inspirem nesta riqueza, realçando seu potencial de crítica social. Não adianta só falar no Cascaes, tem de criar arte a partir dele, "subir no ombro de gigantes", colocar em circulação do jeito que der, "ativar" um Cascaes popular, sem pedir benção a ninguém, ninguém.

A outra caretice, de cunho ainda mais carola e boboca, é a de negar o Cascaes por sua obra mítica ser muito "negativa". Por que a bruxa do Cascaes não tem nada de wicca, de "bruxa boa e de luz", ou qualquer outra baboseira de classe média pequeno burguesa. A Bruxa do Cascaes é o horror, é a bruxa da exploração imobiliária, com os pés gigantes de edifícios que pisam sobre as casas dos pescadores mudando toda a paisagem da cidade. Assim são outras criaturas, os múltiplos boitatás, o Congressso Bruxólico, a "comunicação telebruxólica" dos fios de telefone, etc. O mesmo deve de aplicar à obra do Peninha, que além de grande divulgador do Cascaes tem uma infinidade de trabalhos belíssimos ainda a serem descobertos e expostos ao público, mas para tanto é preciso estaestar acessível ao povo, assim como a do Cascaes. Tudo esse material já devia, numa época com oa nossa, estar digitalizado e facilmente acessivel a qualquer um, mas sabe como é né.


A Bruxa Grande - Cascaes - 1976



Gótico Ilhéu e exemplos Contemporâneos

Uma coisa que fica claro a partir dos contos do Cascaes, que recolheu relatos dos moradores antigos dos povoados da ilha, é que esse horror era parte da vida das pessoas. Imaginem, morar numa ilha, sem luz elétrica, ouvindo tudo que é barulho estranho vindo do mar e do mato? O horror está na nossa índole. Me lembrou bem o Luiz Souza estes dias, em conversas, do filme "A Fêmea do mar", do cineasta Ody Fraga, que nasceu nesta ilha mas é pouco lembrado, e neste filme dialoga o horror do isolamento de forma psicanalítica. Mas falemos de exemplos atuais:


Luiz Souza: artista e crítico que experimenta escrevendo contos, poesia, pinturas, vídeo montagens, entre outros trabalhos, meu amigo de longa data que também já colaborou em alguns trabalhos meus, e colega na Gang do Lixo e redação do Manifesto da Arte Anacrônica (leia aqui). Os contos que o Luiz publicou em seu blog (link no final) tem essa coisa, um pouco de ficção científica, distópica e até apocalíptica, mas também um teor gótico de horror. Ele tem realizado também uma série de pinturas que exploram esse horror fantástico do Gótico Ilhéu, e que tem publicado em seu perfil do facebook. Como crítico o Luiz fez uma observação muito interessante sobre a relação entre o Bode de Mendes e a ilustração do "Bitatá", do Cascaes (imagem mais acima), que está no livro de contos "Treze Cascaes" (link da postagem do Luiz falando disto também lá em baixo).



Nascimento de novo mboitatä no Extramundo de Matárius - Luiz Souza



Carlos Casotti: tatuador e ilustrador que eu descobri a pouco tempo e mostra seu trabalho no Instagram: www.instagram.com/pppseudonym/ . Ele tem feito um diálogo íntimo com a obra e a estética dos desenhos do Cascaes, aprofundando seu teor de horror e surrealismo quase psicodélico, com uma influência da cultura punk, me parece. Eu preciso acompanhar mais e em algum momento comversar com ele pra entender melhor seu trabalho, mas está certamente é uma forma de Gótico Ilheu e faz um uso interessantíssimo da obra do Cascaes.



Carlos Casotti - Creatures Of The Island: Instead Of Death... They dared to choose Life. Civilization feeds on Death. Dare to differ.



Amaweks: sim, eu quem vos falo, por que sei bem do meu esforço nesse sentido. Eu tenho misturado o horror com criaturas excentricas meio "fofas" de videogame japonês já a alguns anos. É assim no Golem de Devwill, jogo inspirado no cinema de horror preto e branco, em especial o Expressionismo Alemão. Também no personagem Homunculo de Devwill Too, diante do horror romantico existencial. E agora mais ainda em Bruxólico, com o Boi-Fantasma, uma mistura de Boi-de-mamão, do folclore locaol, com o cornudo celta e o fantasminha de Haloween. Eu, por exemplo, me aproprio da crítica a exploração imobiliária do Cascaes a atualizando e tecendo meus comentários sociais e políticas, isto em uma mistura de videogame e livro ilustrado. Apesar da mistura de uma linguagem de videogame e de livro ilustrado infantil, é uma leitura direcionada tanto para adultos quanto crianças, ou assim eu penso.



Fragmento do Livro Ilustrado Bruxólico - Amaweks


E devem ter tantos outros por aí, volta e meia a gente esbarra com algo na rua. Fato é que existe uma tradição de "magia" na arte desta ilha que não se resume a slogan ou emoção efêmera, mas de horror do desconhecido ou incontrolável, e que pode ser apropriada tanto por um discurso conservador, mas também, felizmente, por um discruso crítico.


Links adicionais:

Luiz Souza:

Marxismo Gótico

Desterro é o único nome que pode definir a experiência real desta ilha...

Cascaes e o dia das Bruxas

Blog do Luiz: Praia do Esquecimento


Meus site:

www.amaweks.com