Vou tentar aqui melhroar e expandir uma pequena reflexão que postei nas redes sociais.
Os "Tech bros" pensam que o problema das pessoas com a "arte de IA"(sic) é o resultado (o "output", as imagens, textos, músicas que são cuspidas de forma automatizada pela ferramenta). Por mais brega que sejaa a estégica em geral criada com IA, me parece que eles, e sua "fan base", não entendem que arte é também sobre o processo, e esse valor não existe apenas para o artista, mas também para o receptor da arte. A pessoa sabe que ali, naquela arte humana, teve sangue, suor, escolha de gasto em tempo real de vida na criação e produção da arte.
Não se trata aqui da questão da "aura" da obra de arte, ou de valores abstratos ou de mercados inflacionados (como é a lavagem de dinheiro e sonegação de impostos disfarçada de mercado bilionário de obras de arte). Falo de um valor que a pessoa sente de verdade, talvez até mesmo de forma inconsciente, em que ela dá algo de verdade, nem que seja tempo, para a arte que consome.
Alguém em uma das redes sociais disse que achou curioso o que falei por que era a primeira vez que lia alguém colocando a questão ética como central na questão de "arte de IA"(sic). Mas queria deixar claro que o que estou falando é muito menos de uma ética da parte dos artistas, e sim de um valor de quem consome, do receptor, da arte. O "consumo" de arte não é estéril, nem uma via de mão única, ele exige que a pessoa dê algo de volta: seu tempo, sua atenção, suas experiências de vida, para dali tirar algum sentido. Mesmo nas obras mais voltadas para o entretenuimento, alguma cosia o receptor tem de dar, e isto tem um custo.
Mas vamos a um exemplo: você pode gostar da música gerada por "IA" num primeiro momento, mas quando sabe que foi gerada em IA, ela deixa de te impressionar, ou perde o mesmo valor, e você dificilmente retornará para uma segunda audição, por que no fundo sabe que não há vída por trás daquilo. Para que perder tempo precioso devida consumindo cultura que foi gerada em segundos? A pessoa se sente enganada, por que ela deu mais da sua vida para aquilo do que quem gerou aquela imagem/múica/vídeo. A interação através da arte é algo social, não meramente consumo de uma coisa que aparece do nada no ar.
Eu costumo ouvir trilhas sonoras de games antigos no youtube. Antigamente, as vezes, ouvia "versões" e "remixes", com novas roupagens para estas composições. Agora passo até a evitar isso e busco só as versões originais. Por que eu comeceia ouvir algumas, cosias como "Música do Super Mário em Jazz", ou "low-fi", e coisas dessse tipo, para logo em seguida me dar conta que eram conteúdo gerado em massa através destas ferramentas de modelos de lingaugem. Logo eu perdia o interesse, desistia de ouvir na metade ou simplesmente não retornava.
Preciso deixar claro que para mim as tais "IAs" (sic) são apenas ferramentas computacionais "caras", consumidoras de recursos, beberronas de água, de energia elétrica, de dados humanos, e de memórias ram. Eu uso para alguams tarefas, muita gente usa por que é um recurso que "está aí". Em sua arte, por exmeplo seu game autoral, você pode até usar ela na parte do código, por que o jogador não o "enxerga", pois ele fica "por trás", nos bastidores, e ninguém vai ligar. Mas se usar para as músicas e gráficos, e o receptor se der conta disso, já era, perde valor não só "de mercado", mas estético.
Por isso quem usa IA para gerar a parte estética (gráficos e músicas, roteiro) frequentemente tenta "enganar" o receptor, ludibriar e esconder a todo custo que usou a ferramenta ou foca apenas no "resultado" e não no processo. Acho que em aprte a busca de suposta "perfeição da IA", que ela cuspa algo que pareça humano, é essa vontade de se auto enganar e de enganar o receptor de que aquela peça (imagem, música, o que seja) não foi gerada em poucos segundos de forma automatizada, e que ela vale o seu precioso tempo (em um mundo em que ter tempo é luxo de quem pode ostentar). A real é que não vale, e todo mundo sabe mesmo que lá no fundo.