terça-feira, 6 de maio de 2025

Telethugs, 2019, o game para PC

Telethugs, 2019, o game para PC

(for teh english text, scroll below)

https://menosplaystation.itch.io/telethugs


Teletugs é um game de "andar e atirar" originalmente criado e publicado para PC por Pedro Paiva em 2019, claramente inspirado no game Robocop de fliperama. O legal do jogo é como o Pedro articula as referências da cultura do momento de forma satírica, nos inimigos, bosses, cenários, e a começar pelos próprios Telethugs.

Tela de seleção de personagens


Imaginem que os infames Teletubies, personagens do programa infantil para bebês, cresceram, encararam a realidade da vida no capitalismo, e se tornaram um coletivo “casca grossa”. Referências do videogame, como das “Tartarugas Ninjas”, se misturam com política e referências da televisão. Inimigos são os coelhinhos dos teletubies, “Minions” mais do que simbólicos, o casal das agendinhas “amar é”, personagens como “smilinguido” ou Thomas o Trenzinho. Tudo em paródia e muito bem sacado.

Primeira fase e seus inimigos


Quando as pessoas pensam em “referências culturais” elas frequentemente se remetem a cultura consagrada e legitimada por instituições de poder. Quando falam em “cultura regional”, pensam em temas da tradição ou em estereótipos do folclore. É preciso dizer que os usos que o Pedro faz da cultura popular foge desses clichês, mas quando a gente vê as pessoas jogando ao vivo no fliperama, como eu já vi, a reação delas é de reconhecer e rir das referências e da forma que o Pedro as utiliza.

De Thomas o trenzinho, ao Saturno devorando seus filhos, de Francisco Goya, nos bosses 2 e 3


As músicas dão uns parágrafos à parte. Novamente o Pedro é certeiro no recorte cultural e referências das músicas. Quero então comentar a maioria das faixas:

Tela título: Gangsta Paradise - música do rapper Coolio que é una adaptação de "Pastime Paradise" de Stevie Wonder. A música foi encomendada para o filme “Mentes Perigosas”. O importante é que virou um hino para o RAP mundial, facilmente reconhecida e cabe como uma luva para a tela título. Confira a original aqui https://youtu.be/6-IRnDofg6Y

Fase 1: Subúrbio - música inspirada no tema dos Teletubies. Claro que não podia faltar o infame tema, que serve apenas de base para a composição mais “tensa” da faixa do game.

Fase 2: O trem, adaptação de "o Trem" de RZO. Mais um RAP, agora nacional e que tem como tema os “surfistas de trem”, também condizente com o cenário do game. https://youtu.be/_AycHaPQJG0?si=-H0hscvp7xEJXCj

Fase 3: Cemitério - Adaptação de "Calafrio Melô do Terror”, de MC Jack. Um RAP um tanto “incomum” que tem como tema aquele cinema de horror que lembra os filmes preto ebrando da hammer, mas também com um toque de Zé do Caixão. Tudo a ver com o cenário.  https://www.youtube.com/watch?v=bTTjNZ3WEtI

Fase 4: fase do carro - adaptação de "Lata Velha", da banda Landau, já preparando o jogador para enfrentar o último chefe, o próprio Luciano Huck, que por sinal tem a música tema de seu programa adaptado no game. https://youtu.be/D66Bgklt9rE

Chefões: Música Inspirada em "Violent Revolution" da banda Kreator, um trash metal veloz para o tema e tensão dos chefões. https://youtu.be/4ntwKzpX9Cg?si=x7rYsHBbHGHqZb6B



Telethugs é relativamente simples, mas é o tipo de game na medida para se jogar no árcade, ele não precisa de mais complexidade ou mesmo de ser mais longo do que é. O legal dele são essas referências culturais, e o pessoal que joga acaba aproveitando bem os 5 minutos que passa jogando sua “ficha”, seu tempo de jogo antes que acabem as vidas do jogador.


História em Quadrinhos

Pouco tempo depois do game o Pedro realizou algumas histórias em quadrinhos dos Telethugs. Eu tenho uma em formato impresso aqui, e ela claro já serviu de referência para o jogo de ZX Spectrum, mas isso falarei outro dia. O gibi foi editado de forma simples, como um zine, pela editora Monstro dos Mares www.monstrodosmares.com.br



Tá aí outro ponto de contato e diálogo entre meu trabalho e o do Pedro; a vontade de experimentar outras linguagens além do próprio game. Não poderia ser diferente, até por que nossos games também bebem de inspiração em outras linguagens e na cultura popular.



Para jogar todos os games do Pedro e outros mais (incluindo Telethugs para ZX) torne-se um apoiador em: https://apoia.se/maisodiados

No texto seguinte quero falar da iniciativa do “Mais Odiados do Videogame” e finalmente falar da minha parte em desenvolver a versão do game Telethugs de Zx Spectrum.


___________________________________________

English:

Telethugs, 2019, the PC Game

https://menosplaystation.itch.io/telethugs


Telethugs is a “run and gun” game originally created and published for PC by Pedro Paiva in 2019, clearly inspired by the arcade game Robocop. What’s cool about the game is how Pedro weaves together pop culture references of the moment in a satirical way — through enemies, bosses, stages, and starting with the Telethugs themselves.

Character select screen


Imagine if the infamous Teletubbies, characters from a baby-targeted kids’ show, grew up, faced the harsh realities of life under capitalism, and became a hardened collective. Video game references like the Teenage Mutant Ninja Turtles mix with politics and television references. Enemies include the Teletubby bunnies, symbolic “Minions,” the “Love Is…” couple, characters like Smilinguido or Thomas the Tank Engine. It’s all parody — and very cleverly done.

First stage and enemies


When people think of “cultural references,” they often imagine culture sanctioned and legitimized by institutions of power. When they think of “regional culture,” they picture tradition-themed content or stereotypical folklore. It’s important to note that Pedro’s use of pop culture avoids these clichés — and when you see people playing the game live at an arcade, as I have, their reaction is to recognize and laugh at the references and the way Pedro presents them.


From Thomas the Little Train, to Saturn Devouring his Children, by Francisco Goya, in Bosses 2 and 3


The music deserves a section of its own. Once again, Pedro nails the cultural snapshot and musical references. I’ll go over most of the tracks:

Title Screen: Gangsta’s Paradise — a song by rapper Coolio, adapted from Stevie Wonder’s “Pastime Paradise.” The track was originally made for the movie Dangerous Minds. It became a global rap anthem, instantly recognizable, and fits the title screen like a glove. Check out the original here: https://youtu.be/6-IRnDofg6Y

Stage 1 – Suburb: Music inspired by the Teletubbies theme. Of course, the infamous theme couldn’t be left out — though here, it only serves as a base for a more “tense” version used in the game.

Stage 2 – The Train: An adaptation of “O Trem” by RZO. Another rap track, this time from Brazil, themed around “train surfers,” perfectly matching the game’s setting. https://youtu.be/_AycHaPQJG0?si=-H0hscvp7xEJXCj

Stage 3 – Cemetery: Adaptation of Calafrio – Melô do Terror by MC Jack. A rather unusual rap song themed around horror films reminiscent of Hammer’s black-and-white cinema, but also with a touch of Zé do Caixão. Totally fits the stage. https://www.youtube.com/watch?v=bTTjNZ3WEtI

Stage 4 – Car Stage: Adaptation of Lata Velha by the band Landau. This stage prepares the player to face the final boss — none other than Luciano Huck himself, whose TV show theme is also adapted in the game. https://youtu.be/D66Bgklt9rE

Bosses: Music inspired by Violent Revolution by Kreator — fast-paced thrash metal that fits the tension and drama of boss fights. https://youtu.be/4ntwKzpX9Cg?si=x7rYsHBbHGHqZb6B

Telethugs is relatively simple, but it’s the perfect kind of game for arcade play. It doesn’t need more complexity or to be longer than it is. Its charm lies in the cultural references, and players tend to make the most of their five minutes — the brief time they get before running out of lives.


Comic Book

Shortly after the game, Pedro released a few Telethugs comic stories. I have one in print here, and it clearly served as a reference for the ZX Spectrum version of the game — but I’ll talk about that another time. The comic was released in zine format by the indie publisher Monstro dos Mares – www.monstrodosmares.com.br



This is another point of contact and dialogue between my work and Pedro’s: the desire to explore other forms of expression beyond the game itself. And it couldn’t be otherwise, since our games are also inspired by other media and pop culture.


To play all of Pedro's games, and Telethugs for ZX Spectrum, became a supporter on https://www.patreon.com/maisodiados

In the next text, I’ll talk about the Most Hated in Gaming initiative and finally share my experience developing the Telethugs version for the ZX Spectrum.




segunda-feira, 5 de maio de 2025

Telethugs ZX: minha homenagem ao trabalho do amigo Pedro Paiva

Telethugs ZX: minha homenagem ao trabalho do amigo Pedro Paiva


(for englhish text scroll below)



Quem já me acompanha a algum tempo talvez saiba o quanto eu admiro o trabalho de meu amigo joguinista Pedro Paiva. Desde que eu descobri seus jogos, creio que desde 2014, meu trabalho se inspira e também dialoga com o Trabalho do Pedro.  Faz algum tempo que eu penso em fazer uma versão ZX Spectrum de algum jogo do Pedro, e agora que temos a parceria, junto com o Daniel Dante e outros amigos, juntos como “Mais Odiados do Videogame”.

Hoje e nos próximos dias vou publicando aqui no blog os textos relacionados ao lançamento desta edição (remake, ou demake se preferir) de Telethugs para ZX Spectrum.


Logo de Mais Ódio Menos Playstation


Mais ódio, Menos Playstation, o longo e atual trabalho do Pedro Paiva


Em 2014 eu terminei e lancei meu primeiro game, As Aventuras de Zé Baldinho (PC), e realizava a primeira atividade de criar jogos com turmas de alunos enquanto professor de artes na escola pública. Pesquisando na internet se alguém mais fazia algo semelhante eis que esbarro com o Blog “Mais Ódio Menos Playstation”, do Pedro Paiva, que  estava realizando um trabalho semelhante, mas muito mais radical até, pois tinha turmas de alunos de jovens e adultos encarcerados.

Coletânea de jogos realizadas pelos alunos do Pedro, mais info aqui em seu blog.


Antes de falar dos jogos do Pedro, é preciso frisar que ele vai muito além da criação joguinista: como militante anarquista ele traz reflexões sobre política, acesso ao videogame, crítica à nostalgia, construção de fliperamas como espaços coletivos para o videogame independente, entre outros. E tudo isso com experiências práticas e reflexão, pensamento e ação um dando subsídios para o crescimento do outro, como eu acredito que deve ser. Não é a toa que mantenho um diálogo constante com o trabalho do Pedro, inclusive foi esse contato que inspirou meu segundo game, Marlow,  que tem um protagonista anarquista em um futuro distópico. Quem quiser conhecer mais é muito indicado ler seu Blog: https://menosplaystation.blogspot.com/

Papai Noel is Dead - Pedro Paiva


Mas falando dos jogos, Pedro já experimentou muita coisa desde suas primeiras produções, dialogando referências do videogame com outras “de fora”, sempre se apropriando de personagens da cultura popular e pop de forma irônica ou satírica. Alguns dos jogos mais antigos do Pedro exploram os limites do “anti jogo”, da arbitrariedade das regras em analogia ás arbitrariedades da sociedade no capitalismo, entre outros temas. Mas a partir das experiências com a construção de fliperamas e seus espaços o Pedro passa a focar mais no estilo “arcade”, de ação e jogabilidade simples, e Telethugs é um de seus trabalhos que expressa essa direção. Em relação à experiência dos Fliperamas iniciada pelo Pedro, quem desejar saber mais pode ler o texto que escrevi a pouco tempo atrás aqui no blog: https://diarioartografico.blogspot.com/2024/12/a-redescoberta-do-fliperama.html

Mario Empalado - Pedro Paiva


Para jogar todos os games do Pedro e outros mais torne-se um apoiador em: https://apoia.se/maisodiados

No texto seguinte quero falar em mais detalhes sobre Telethugs de Pedro Paiva.



_______________________

English: 

Telethugs ZX: My Tribute to the Work of My Friend Pedro Paiva




Anyone who has been following me for some time may already know how much I admire the work of my game-developer friend Pedro Paiva. Ever since I discovered his games—probably back in 2014—my own work has been inspired by and in dialogue with Pedro's. For some time now, I’ve been thinking about making a ZX Spectrum version of one of Pedro’s games, and now that we’re collaborating—alongside Daniel Dante and other friends—as “Mais odiados do videogame" (The Most Hated in Videogames), the time has come.

Today and in the coming days, I’ll be publishing on the blog texts related to the release of this edition (a remake—or demake, if you prefer) of Telethugs for the ZX Spectrum.


Mais Ódio Menos Playstation (More hate, less playstation) Logo

More Hatred, Less Playstation: The Ongoing and Relevant Work of Pedro Paiva

In 2014, I finished and released my first game, The Adventures of Zé Baldinho (PC), and I was also starting to work with groups of students creating games as part of my role as an art teacher in public schools. While researching online to see if anyone else was doing similar work, I stumbled upon the blog More Hatred, Less Playstation by Pedro Paiva, who was doing something even more radical—working with youth and adult students in prison settings.


Pedro's students games collection. More info here in his blog.

Before even getting to Pedro’s games, it’s important to point out that his work goes far beyond game creation: As an anarchist activist he brings reflections on politics, access to videogames, critiques of nostalgia, building arcades as collective spaces for indie games, and more. All of it is grounded in practical experience and critical thinking—action and thought feeding into one another, just as I believe they should. It’s no coincidence that I’ve maintained an ongoing dialogue with Pedro’s work. In fact, that dialogue directly inspired my second game, Marlow, which features an anarchist protagonist in a dystopian future. If you want to learn more, I highly recommend reading his blog: https://menosplaystation.blogspot.com/


Papai Noel (Santa) is Dead - Pedro Paiva

As for the games themselves, Pedro has experimented with many ideas since his early creations, always bringing in references from both video games and beyond, often appropriating popular and pop culture characters with irony or satire. Some of his older games explore the boundaries of the “anti-game,” where rule arbitrariness serves as an analogy for societal arbitrariness under capitalism, among other themes. But with his later experiences building arcades and shared spaces, Pedro began focusing more on the “arcade” style—action and simple gameplay—and Telethugs is one of his works that embodies this direction.


Mario Empalado (Impaled Mario) - Pedro Paiva

For those interested in learning more about Pedro’s arcade-building experience, I recently wrote a text on the subject, available here: https://diarioartografico.blogspot.com/2024/12/a-redescoberta-do-fliperama.html

To play all of Pedro's games became a supporter on https://www.patreon.com/maisodiados

In the next post, I’ll be diving deeper into Pedro Paiva’s Telethugs.


sexta-feira, 21 de março de 2025

Marlow for MSX

(para o texto em português clique aqui)

Marlow for MSX

Well, everything I had to say about the story, characters, and inspirations has already been covered in the ZX Spectrum release. So, I just wanted to mention that this was a one-month job, working every day on the MSX conversion. Although the MPAGD engine supports both systems, there is a lot in the code that needs to be modified, in addition to redesigning the environment graphics, converting music assets, and more.




Check out the game's store athttps://amaweks.itch.io/marlowmsx



The MSX version has several graphical differences compared to the ZX Spectrum version, although most of the level layouts, enemies, and items remain the same. Later on, I plan to make a comparison between screenshots of both versions, explaining the technical changes in detail.

But in summary, the MSX version features more graphical details, a few extra screens that were left out of the ZX version due to memory limitations, higher-quality PSG sound effects, and new illustrated screens for the game's intro and ending. Oh, and there's also the addition of a jukebox screen, allowing players to listen to all the game's music from the title screen.




I hope those interested in playing have fun and enjoy the game, whether on an emulator, FPGA, or vintage hardware. Below are more screenshots:





















Marlow para MSX

Marlow para MSX

Bom, tudo que eu tinha de falar a respeito da história, personagens, e inspirações, já foi dito a respeito do lançamento do jogo para o ZX Spectrum. Só queria comentar então que esse foi um trabalho de um mês, todos os dias, trabalhando na conversão para MSX. Apesar da engine MPAGD suportar ambos os sistemas, tem bastante coisa no código que precisa ser modificada, além de redesenhar os gráficos de cenário, converter assets de música, etc.



Acesse a loja do game no endereço: https://amaweks.itch.io/marlowmsx


A versão de MSX tem vários detalhes gra´ficos diferentes da de ZX Spectrum, apesar de que a maior parte do layout de fases, inimigos, e itens, ser exatamente o mesmo. Mais para a frente pretendo fazer uma comparação entre capturas de telas das duas versões explicando com detalhes tecnicos as mudanças. Mas em resumo, a versão de MSX tem mais detalhes gráficos, alguasm telas a mais que ficaram de fora da versão ZX por faltade memória, efeitos sonoros em PSG e de maior qualidade, e telas de ilustração novas para as introdução e final do jogo. A, é mesmo, também a adição de uma tela de "juckebox", para ouvir todas as músicas do jogo a partir da tela título.




Espero que aqueles interessados em jogar se divirtam, e curtam o jogo, seja em emulador, FPGA, ou hardware de época. Abaixo mais capturas: